Ex-participantes de reality shows, apresentadores e socialites confirmaram filiação a partidos e despertam dúvidas sobre suas chances reais nas urnas.
A proximidade das eleições de 2026 trouxe um fenômeno que já é familiar ao eleitor brasileiro: a entrada de celebridades na disputa política. Nomes que ganharam notoriedade em reality shows, no esporte e na televisão anunciaram filiações partidárias nos últimos meses, despertando a curiosidade do público sobre quais cargos pretendem ocupar e quais são suas reais chances de vitória. Entre os destaques estão ex-participantes do BBB e de A Fazenda, socialites conhecidas do grande público e até um psiquiatra que se tornou escritor de sucesso. A movimentação levanta uma dúvida recorrente entre eleitores: a fama nas redes sociais e na TV realmente se traduz em votos? Para entender o cenário, é preciso conhecer quem são esses nomes, quais partidos escolheram e o que pretendem defender caso sejam eleitos em outubro.
Quem são os famosos que confirmaram entrada na política em 2026
A lista de celebridades que decidiram migrar para a política inclui nomes de diferentes áreas do entretenimento e do esporte. Matteus Amaral, vice-campeão do BBB 24, escolheu o Progressistas (PP) para ingressar na política e pretende disputar uma vaga como deputado federal pelo Rio Grande do Sul, apostando em sua ligação com o campo e o trabalho rural como elementos centrais de sua imagem perante o eleitorado. Outro nome vindo de reality show é o de Rico Melquiades, campeão de A Fazenda em 2021, que também decidiu iniciar trajetória política, embora os detalhes de sua candidatura ainda estejam sendo definidos. Metrópoles
No universo das socialites e apresentadoras, três nomes chamaram atenção nos últimos meses. A musa fitness Gracyanne Barbosa anunciou sua filiação ao Republicanos em fevereiro, embora ainda não existam informações confirmadas sobre qual cargo pretende disputar. No mesmo partido entrou a socialite Val Marchiori, que em março anunciou pré-candidatura a deputada federal por São Paulo. Já Silvia Abravanel, apresentadora e filha de Silvio Santos, se filiou ao PSD com a intenção de concorrer a uma vaga como deputada federal, também por São Paulo. Esses casos mostram como a exposição midiática tem sido vista por diferentes legendas como um caminho estratégico para ampliar o alcance eleitoral, especialmente entre públicos que acompanham essas personalidades nas redes sociais havia anos antes de qualquer ambição política declarada. Metrópoles + 2
O que está em jogo para os famosos que entram na disputa eleitoral
Além dos nomes ligados a reality shows e à vida social, a política também atraiu figuras do esporte e da literatura nos últimos meses. Em março, o MDB anunciou a filiação do ex-jogador do São Paulo e da Seleção Brasileira, Luís Fabiano, embora o cargo que ele pretende disputar ainda não tenha sido definido. A mesma legenda filiou Tayane Gandra, mãe do torcedor mirim do Vasco conhecido como “Menino Gui”, demonstrando como histórias que ganharam repercussão nacional também são aproveitadas pelos partidos na formação de suas candidaturas. A atriz e apresentadora Antonia Fontenelle se filiou ao PSDB de olho em uma possível candidatura, destacando ter deixado os Estados Unidos e retornado ao Brasil especialmente para a filiação, embora sem detalhar ainda qual cargo pretende disputar. Metrópoles + 2
Há também quem tenha mirado diretamente o cargo mais alto do país. O psiquiatra e escritor Augusto Cury filiou-se ao partido Avante e se colocou como pré-candidato à Presidência da República, afirmando nas redes sociais que suas propostas incluem a criação de 10 mil clubes de empreendedorismo no país, além da qualificação de policiais e da implementação de programas voltados à redução da insegurança alimentar. Esse tipo de candidatura levanta uma dúvida recorrente entre analistas políticos: até que ponto a popularidade construída fora da política se sustenta diante do desgaste de uma campanha eleitoral real, marcada por debates, prestação de contas e fiscalização da Justiça Eleitoral. A experiência de eleições anteriores mostra que, embora a fama ajude no reconhecimento inicial do nome, ela não garante sozinha o sucesso nas urnas. Metrópoles
Regras eleitorais que esses candidatos famosos precisam seguir
Independentemente da notoriedade prévia, todos os candidatos, famosos ou não, precisam seguir o mesmo calendário e as mesmas exigências estabelecidas pela Justiça Eleitoral. As candidatas e os candidatos que pretendem concorrer nas Eleições 2026 devem estar com domicílio eleitoral regular na circunscrição onde desejam disputar e com a filiação partidária devidamente deferida até a data prevista no calendário eleitoral, salvo se o estatuto do partido estabelecer prazo superior. Essa exigência é fundamental para qualquer celebridade que tenha anunciado filiação recentemente, já que o simples anúncio nas redes sociais não garante a validade da candidatura sem o cumprimento dos trâmites formais. Tribunal Superior Eleitoral
O TSE também reforça regras de transparência que afetam diretamente influenciadores e personalidades digitais que decidirem migrar para a política. Desde 1º de janeiro, pesquisas de opinião pública relacionadas às eleições devem ser registradas no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais até cinco dias antes da divulgação, regra que busca evitar a disseminação de levantamentos sem credibilidade técnica, prática comum quando nomes populares entram na disputa e atraem holofotes da imprensa. Esse conjunto de normas ajuda a equilibrar a disputa entre políticos de carreira e celebridades que ingressam na política, reforçando que, embora a fama possa abrir portas, o cumprimento das regras eleitorais é obrigatório para todos os concorrentes, sem exceção. Tribunal Superior Eleitoral
A movimentação de celebridades em direção à política reflete uma tendência que se repete a cada ciclo eleitoral brasileiro, mas que ganha contornos especiais em 2026 pela diversidade de perfis envolvidos, do esporte aos realities, passando pela literatura e pelo mundo fitness. Para o eleitor, a recomendação de especialistas é acompanhar não apenas a fama prévia de cada nome, mas também as propostas concretas apresentadas durante a campanha. A confirmação oficial das candidaturas só ocorre após o registro junto à Justiça Eleitoral, etapa que vai filtrar quais desses anúncios se transformarão, de fato, em disputas válidas nas urnas de outubro.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
