Celebrado em 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação chama atenção para um desafio que atinge milhões de pessoas no planeta. Para Alfredo Moreira Filho, empresário cuja trajetória começou na roça em Igrapiúna, no Baixo Sul da Bahia, a data é uma oportunidade para lembrar que a segurança alimentar começa na produção, mas depende de toda a cadeia que leva o alimento até a mesa.
Neste ano, o tema ganha contornos particulares no Brasil. O país segue fora do Mapa da Fome das Nações Unidas, mas enfrenta outro problema que os números gerais nem sempre revelam: o preço de uma alimentação de qualidade. Entenda, nos tópicos a seguir, a origem da data, o que significam os indicadores mais recentes e qual é o papel do campo nesse cenário.
Por que a data é celebrada em 16 de outubro?
O Dia Mundial da Alimentação foi instituído pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, com o objetivo de ampliar a consciência sobre a fome e a segurança alimentar. A escolha do 16 de outubro remete à fundação da própria FAO, criada nessa data para coordenar esforços internacionais em agricultura e nutrição.
Desde então, a data mobiliza governos, empresas e organizações da sociedade civil em mais de 150 países, com campanhas, seminários e ações de arrecadação. Conforme aponta Alfredo Moreira, o valor da comemoração está menos no simbolismo e mais na oportunidade de colocar em discussão pública temas que costumam ficar restritos a especialistas, como produção, distribuição e acesso aos alimentos.
O que significa estar fora do Mapa da Fome?
O Mapa da Fome é construído pela FAO a partir de um indicador chamado prevalência de subnutrição, que mede a parcela da população com consumo de calorias insuficiente para as necessidades mínimas. Um país sai do mapa quando menos de 2,5% de seus habitantes estão nessa condição.

Segundo o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo”, divulgado pela FAO em julho, o Brasil permanece fora do Mapa da Fome. No cenário global, o mesmo documento estima que 7,8% da população mundial enfrentou a fome no ano passado. Na leitura de Alfredo Moreira Filho, o resultado brasileiro é relevante, mas não encerra o debate, porque estar fora do mapa não significa que todos tenham acesso a uma alimentação adequada.
O desafio do custo de uma dieta saudável
Não por acaso, o relatório deste ano teve como tema central compreender e enfrentar o alto custo de uma dieta saudável. A diferença é importante. Ter calorias suficientes é uma coisa; ter acesso regular a frutas, verduras, legumes, proteínas e alimentos pouco processados é outra, e muitas famílias ainda não conseguem arcar com esse tipo de alimentação.
De acordo com a FAO, o custo de uma dieta saudável no Brasil foi estimado em 4,89 dólares por pessoa ao dia, em valores ajustados pelo poder de compra, abaixo da média regional. O preço dos alimentos depende de fatores como produtividade, logística, clima e escala de produção. Segundo Alfredo Moreira, é justamente nesse ponto que a eficiência do campo e da gestão de toda a cadeia produtiva se traduz em benefício direto para o consumidor.
O papel da agricultura familiar e da produção no campo
Os estudos da FAO destacam o papel estratégico da agricultura familiar na oferta de alimentos saudáveis. São esses produtores que abastecem boa parte das feiras e mercados com hortaliças, frutas, leite e outros itens básicos da mesa brasileira. Fortalecê-los envolve crédito, assistência técnica, acesso a mercados e infraestrutura para escoar a produção.
Ao mesmo tempo, a FAO lembra que a maior parte das pessoas pobres no mundo vive em áreas rurais e depende da agricultura para sobreviver. Isso faz do campo, simultaneamente, fonte de alimentos e território onde a insegurança alimentar ainda persiste. Alfredo Moreira Filho enfatiza que enfrentar esse paradoxo exige combinar produtividade, organização e políticas que garantam renda a quem produz, para que o alimento chegue com qualidade e preço justo a quem consome.
