Após mais de quatro décadas associado à Rede Globo, o narrador estreia no SBT e leva consigo uma tradição que virou superstição entre os torcedores brasileiros.
A volta de Galvão Bueno às transmissões de Copa do Mundo gerou um misto de nostalgia e curiosidade entre os brasileiros. Depois de mais de 40 anos como um dos nomes mais reconhecíveis da TV Globo, o narrador assumiu o microfone do SBT para cobrir o Mundial de 2026, disputado nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A mudança não é apenas de emissora: ela carrega um simbolismo forte, já que Galvão chegou a admitir que poderia se aposentar das Copas após o torneio de 2022, no Catar. Antes da estreia, ele ainda passou por uma cirurgia na coluna, o que levantou dúvidas sobre sua presença nos jogos. Recuperado, o locutor confirmou a parceria com o SBT e trouxe de volta um elemento que acompanha sua carreira desde 2002, o grupo baiano Olodum, reforçando a expectativa em torno de sua nova fase profissional longe da emissora onde construiu sua história.
Por que Galvão Bueno deixou a Globo e foi para o SBT
A saída de Galvão Bueno da Globo não aconteceu da noite para o dia. O narrador encerrou oficialmente seu ciclo na emissora após a Copa do Mundo de 2022, no Catar, fechando um percurso que começou ainda nos anos 1980 e consolidou seu nome como sinônimo de narração esportiva no Brasil. Depois da despedida, ele direcionou sua carreira para projetos digitais, participações em plataformas de streaming e até uma passagem pela Band, sinalizando que não pretendia se afastar totalmente dos microfones, mesmo sem o vínculo fixo com a Globo. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Povo, Galvão deve receber entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão pelo pacote fechado com o SBT, valor que se refere à participação completa na cobertura da competição, e não a um salário mensal fixo. Correio 24 Horas
O acerto com o SBT representa a primeira vez, desde 1978, que Galvão narra um Mundial fora da Globo. A Copa do Mundo 2026 será inédita também em termos de transmissão pela TV brasileira, já que a emissora líder não terá exclusividade e nem poderá exibir todos os jogos, cujos direitos pertencem à CazéTV. Esse cenário fragmentado de direitos televisivos mudou a lógica da disputa por audiência, e o SBT, fundado por Silvio Santos, decidiu investir pesado para reconquistar parte do público que historicamente acompanhava o torneio pela Globo. A emissora chegou a contar com Galvão na cerimônia de abertura, embora a narração do jogo inaugural tenha ficado a cargo de Tiago Leifert, parceiro de transmissão na nova fase. Antes da estreia, Galvão precisou recuperar-se de uma hérnia de disco, mas retomou a preparação assim que recebeu alta médica, no início de junho. TerraSBT Sports
Quais jogos do Brasil Galvão Bueno vai narrar no SBT
Um dos pontos que mais geram dúvida entre os telespectadores é justamente saber quais partidas ficarão sob a responsabilidade de Galvão Bueno durante o Mundial. Segundo a Folha de S.Paulo, ele vai narrar os três jogos do Brasil na fase de grupos, além da partida de abertura e da final da Copa do Mundo. No total, o veterano comandará dez das 32 transmissões que o SBT exibirá ao longo da competição, o que reforça seu papel como principal nome da cobertura esportiva da emissora neste ciclo. Caso a seleção brasileira seja eliminada antes da decisão, o narrador assumirá outros confrontos de destaque ao longo do torneio, garantindo presença constante nas transmissões mais relevantes. Gazeta de São PauloGazeta de São Paulo
A estreia oficial de Galvão na nova casa aconteceu no confronto entre Brasil e Marrocos. Já a partida contra a Escócia está marcada para o dia 24 de junho, às 19h, com os confrontos disputados nos Estados Unidos, país que compartilha a sede do Mundial com México e Canadá. Essa distribuição de jogos chama atenção porque mostra como o SBT organizou sua escala de narradores para cobrir o torneio mais longo da história das Copas, dividindo responsabilidades entre Galvão e Leifert sem abrir mão do peso histórico do narrador mais experiente do elenco. Gazeta de São Paulo
O retorno do Olodum às transmissões da Seleção Brasileira
Outro fator que despertou interesse do público foi a confirmação de que o Olodum acompanharia Galvão Bueno em sua nova fase profissional. A parceria entre o narrador e o grupo de axé baiano nasceu em 2002, ano da conquista do penta na Copa do Japão e da Coreia do Sul, quando o conjunto firmou uma colaboração exclusiva com a equipe de Galvão para interagir com o locutor durante as transmissões. Desde então, a presença do Olodum tornou-se quase um ritual supersticioso entre os torcedores, associado simbolicamente às boas campanhas da seleção em Mundiais. Terra
A logística da parceria também ganhou destaque nesta edição. O grupo baiano vai instalar telões no Pelourinho, em Salvador, para transmitir os jogos com o sinal do SBT, marcando a quinta vez na história da emissora que ela exibe uma Copa do Mundo, repetindo o que já havia feito em 1986, 1990, 1994 e 1998. A chegada do Olodum representa um ganho simbólico importante para o SBT, que volta a exibir o torneio após quase três décadas, incorporando um elemento que ajudou a construir a identidade das transmissões do Brasil ao longo dos últimos Mundiais. Para os fãs que acompanham a seleção desde o início dos anos 2000, ver a banda novamente ao lado de Galvão reforça a sensação de continuidade, mesmo com a mudança de emissora, e ajuda a explicar por que a notícia gerou tanta repercussão nas redes sociais brasileiras. TerraBanda B
A movimentação em torno de Galvão Bueno na Copa do Mundo de 2026 mostra como a televisão brasileira está se reorganizando diante da fragmentação dos direitos de transmissão esportiva. A presença do narrador mais tradicional do país em uma emissora diferente da que o consagrou, somada ao retorno do Olodum, criou um capítulo inédito na história das coberturas de Mundiais no Brasil. Para o público, a expectativa agora é acompanhar se a parceria entre Galvão e o SBT vai repetir o sucesso de audiência das décadas anteriores, especialmente nos jogos decisivos da seleção brasileira nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
