Fredy da Silva Gonçalves Bento iniciou sua trajetória empresarial no começo dos anos 2000, comercializando roupas em um quarto de sua casa, no bairro Parque Bitarú, em São Vicente, período em que o comércio brasileiro dependia principalmente do contato presencial, da localização dos estabelecimentos e do relacionamento direto com os consumidores. Mais de duas décadas depois, a expansão das plataformas digitais, dos pagamentos eletrônicos e das ferramentas de automação transformou as condições para abrir e administrar empresas, modificando tanto as oportunidades disponíveis quanto as habilidades necessárias para competir no mercado.
Como funcionava o comércio antes da digitalização?
No início dos anos 2000, pequenos comerciantes dependiam frequentemente de fornecedores locais, indicações pessoais e divulgação tradicional. A construção de uma clientela exigia presença constante, conhecimento sobre os produtos e capacidade de negociação. Sem a facilidade atual de comparar preços pela internet, encontrar mercadorias competitivas também demandava tempo, deslocamentos e relacionamento com distribuidores, tornando a escolha dos parceiros comerciais uma decisão importante para a rentabilidade.
O controle financeiro apresentava outras dificuldades. Muitos empreendedores utilizavam cadernos, planilhas simples ou registros manuais para acompanhar vendas, pagamentos e mercadorias. A ausência de sistemas integrados dificultava identificar rapidamente produtos com maior saída, despesas recorrentes e necessidades de reposição. Consequentemente, diversas decisões comerciais dependiam da observação cotidiana e da experiência acumulada, aumentando a possibilidade de erros no planejamento das compras.
Entretanto, a menor disponibilidade de recursos tecnológicos não significava necessariamente menor complexidade empresarial, destaca Fredy da Silva Gonçalves Bento. O comerciante precisava compreender o comportamento dos compradores, administrar recursos limitados e desenvolver estratégias para manter suas atividades. Essas habilidades continuam relevantes, embora atualmente sejam utilizadas em um ambiente muito mais conectado e competitivo, no qual a velocidade das informações exige respostas comerciais cada vez mais rápidas.
A tecnologia tornou mais fácil abrir uma empresa?
A popularização dos marketplaces, das redes sociais e das ferramentas de pagamento reduziu determinadas barreiras de entrada. Atualmente, é possível apresentar produtos a consumidores de diferentes regiões sem necessariamente manter uma loja física. Sistemas de gestão também permitem acompanhar estoques, emitir documentos fiscais e analisar resultados com maior agilidade, facilitando atividades que anteriormente exigiam procedimentos manuais.
Por outro lado, a facilidade de acesso ampliou a concorrência, informa Fredy da Silva Gonçalves Bento. Um pequeno comerciante deixou de disputar clientes exclusivamente com estabelecimentos próximos e passou a competir com grandes redes, vendedores digitais e fornecedores internacionais. Além disso, precisa considerar despesas com publicidade, comissões das plataformas, entregas e eventuais devoluções, fatores que podem comprometer a rentabilidade quando não são devidamente administrados.
Quais habilidades passaram a ser indispensáveis?
O conhecimento sobre produtos e consumidores permanece importante, mas deixou de ser suficiente para sustentar determinadas operações. Atualmente, empresários precisam interpretar indicadores financeiros, compreender canais digitais e acompanhar o desempenho comercial. Informações sobre margem de contribuição, giro de estoque e custo de aquisição de clientes ajudam a identificar problemas que o faturamento isoladamente não revela, permitindo decisões mais fundamentadas.
Outra competência relevante é a capacidade de administrar processos. À medida que uma empresa cresce, decisões relacionadas a compras, logística e atendimento precisam seguir critérios definidos. Sem essa organização, o aumento das vendas pode provocar atrasos, desperdícios e dificuldades financeiras, mesmo quando existe demanda pelos produtos. Por isso, a habilidade de delegar responsabilidades também se tornou essencial para operações em expansão.
Esse desafio pode ser relacionado à trajetória de Fredy da Silva Gonçalves Bento, que passou a atuar em setores como gastronomia, eventos e mobilidade elétrica. Atualmente, a Litoral Mobilidade possui centro de distribuição próprio, operações de importação e mais de 40 colaboradores. Uma estrutura dessa dimensão exige competências administrativas diferentes daquelas necessárias para conduzir individualmente um pequeno comércio, especialmente no planejamento de estoques, na coordenação de equipes e no acompanhamento dos resultados.
